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Câncer de Mama

O câncer de mama é a neoplasia maligna que mais acomete mulheres; sendo a segunda causa de morte (atrás apenas das doenças cardiovasculares) e a primeira por câncer. No Brasil, ocorrem aproximadamente 60.000 casos novos ao ano, causando 15.000 mortes. Admite-se que sua causa não seja única, mas sim multifatorial, incluindo fatores endócrinos/história reprodutiva; comportamentais/ambientais e genéticos/hereditários. Diferentemente do que se costuma imaginar, apenas 15-20 % das pacientes com diagnóstico de câncer de mama, apresentam antecedentes familiares.

Destas, cerca de 5-10% estão associados a fator genético, sendo a mais comum, causada por mutações hereditárias nos genes BRCA 1 e 2. Portanto, 80-85% dos casos são considerados esporádicos (únicos na família), acometendo fundamentalmente mulheres na pós menopausa, sobretudo com sobrepeso. Apesar do aumento progressivo da incidência em todas as faixas etárias, a mais frequente se encontra entre os 50 e 65 anos. Não é portanto, fato que, exista a tendência de atingir pacientes cada vez mais jovens.

Neste sentido, não é possível identificar na população geral, a grande maioria das pacientes que desenvolverão a doença ao longo da vida, para que se pudesse promover de maneira eficaz a prevenção primária da mesma. O que podemos e devemos realizar, portanto, é o rastreamento (uso de ferramentas para identificar precocemente a doença nesta população assintomática) o que corresponderia  a uma forma de prevenção secundária.

Até a presente data, o único exame comprovadamente eficaz para este fim é a mamografia, que reduziu a mortalidade pelo câncer em 30% com a introdução do rastreamento. Trata-se de exame com baixa dose de radiação (cerca de 1/30 da dose de um RX de tórax e ainda muito menos que a de uma tomografia). A ultrassonografia mamária é um exame largamente empregado no Brasil, sendo no entanto, uma ferramenta complementar à mamografia e útil na avaliação de lesões palpáveis.

De forma geral, toda mulher apresenta 12-13% de risco de desenvolver câncer de mama até os 90 anos (risco habitual). Como colocado anteriormente, a maioria das mulheres encontra-se dentro deste grupo e para elas deve se propor rastreamento mamográfico anual a partir dos 40 anos e incentivar hábitos saudáveis de vida (dieta pobre em gordura saturada, baixo consumo de álcool, prática de exercícios físicos, etc).

Por outro lado e por motivos específicos, algumas mulheres podem apresentar aumento deste risco e quando este é superior a 25%, são incluídas no grupo de alto risco:

– Familiar de 1º grau com câncer de mama antes dos 40 anos

– Familiar de 1º grau com câncer de mama bilateral ou de mama e ovário

– Câncer de mama em familiar do sexo masculino

– Radioterapia torácica antes dos 32 anos

– Portadoras de mutação dos genes BRCA 1 e BRCA 2, entre outros

Os avanços em técnicas de biologia molecular nas últimas décadas permitiram a identificação de genes que, quando alterados, aumentam significativamente o risco de desenvolver câncer de mama, de ovário e outros tumores. A possibilidade de identificar pacientes e familiares com elevado risco de desenvolvimento de câncer torna possível o emprego de uma abordagem preventiva e de detecção precoce do câncer. Dessa forma, o rastreamento nesses casos deve ser diferente, objetivando alcançar a redução da morbidade e mortalidade associadas ao câncer nessa população, comumente mais precoces e mais agressivos. Esse grupo de pacientes deve iniciar o rastreamento do câncer de mama precocemente e a utilização da Ressonância Magnética de mamas com contraste, intercalada com a Mamografia Digital aumenta a sensibilidade na detecção destes tipos específicos de câncer e representa a combinação com máximo desempenho para este fim. Para a maioria das mulheres de alto risco, a triagem com ressonância magnética e mamografia deve começar aos 30 anos – ou até antes, dependendo da história – e continuar enquanto a mulher está bem de saúde. A evidência quanto à melhor idade de início da triagem ainda é limitada e essa decisão deve ser compartilhada entre os pacientes e seus médicos, tendo em conta a situação individual de cada um e suas preferências.