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Introdução

Para que o casal possa manter sua atividade sexual e planejar o momento ideal de engravidar, foram desenvolvidos diversos métodos contraceptivos. Para entender melhor o funcionamento de cada método é importante saber o que acontece durante o processo de reprodução humana.

Quando a mulher passa a apresentar ciclos menstruais regulares, em média cerca de 13 a 14 dias após o início da menstruação, ela libera uma célula do ovário chamada óvulo. Esse óvulo é conduzido pelo interior da tuba uterina até o interior do útero.

Durante a relação sexual, quando o homem ejacula dentro da vagina da mulher ocorre a liberação de milhões de espermatozoides e alguns deles conseguem entrar no útero e progredir até as tubas uterinas. Se durante esse trajeto na tuba uterina um espermatozoide encontrar e conseguir penetrar no óvulo ocorrerá a fecundação ou fertilização. Posteriormente, após inúmeras divisões celulares será originado o embrião, que deverá ficar alojado dentro do útero durante a gestação. Ovário e placenta produzirão hormônios fundamentais para o desenvolvimento adequado da gestação.

Existem diversos métodos desenvolvidos para impedir o processo de reprodução descrito acima, e a escolha deste ou daquele método deve levar em conta a idade da paciente, se ela já tem filhos, a presença de doenças associadas e o tipo e freqüência de relacionamentos sexuais. Conheça alguns dos métodos contraceptivos e sua forma de atuação.

Método natural (“tabelinha”)

O planejamento familiar natural ou “tabelinha” é baseado na sincronia do ciclo menstrual da mulher. Pode ser eficiente se adotado corretamente pelo casal que deve interromper as atividades sexuais durante o período fértil ou próximo à ovulação. É importante que o médico explique detalhadamente como utilizar esse método, para diminuir a chance de falhas… Pacientes com ciclos menstruais irregulares não são boas candidatas para esse tipo de método.

Métodos de barreira:

Os métodos de barreira são extremamente importantes para a proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis, incluindo AIDS e HPV (Papiloma vírus humano).

– Diafragma: dispositivo côncavo de borracha que se amolda dentro da vagina da mulher e cobre o colo do útero. Deve ser colocado cerca de 30 a 60 minutos antes da relação e sua eficácia aumenta quando associado a geleias espermicidas.

– Capuz cervical: pequena ventosa de borracha que se amolda sobre o colo do útero e permanece no local por sucção.

– Camisinha masculina (“condom”): Envoltório feito de látex, com o qual o homem recobre o pênis durante a atividade sexual. É o método mais eficiente para prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e, deve ser colocado no início da relação sexual antes da primeira penetração.

– Camisinha feminina: Envoltório de plástico fino que se alinha internamente na vagina.Ela se mantém no local por um anel interno fechado junto ao colo do útero durante a relação sexual.

Dispositivo intra uterino-DIU

O DIU é um pequeno dispositivo de plástico que contém cobre ou hormônios e que deve ser introduzido pelo médico dentro do útero da mulher para impedir a gravidez. A presença do DIU dificulta a entrada dos espermatozoides no útero, a fecundação do óvulo nas trompas e, sua fixação à parede do útero. Alguns modelos de DIU podem aumentar o fluxo menstrual, enquanto outros diminuem tanto o fluxo quanto a intensidade de eventuais cólicas menstruais. O Mirena (R), disponível no mercado brasileiro há cerca de 15 anos, libera continuamente pequenas quantidades de um hormônio chamado levonorgestrel no interior do útero e, apresenta ação contraceptiva por até 5 anos. Recentemente foi lançado o Jeydess, com mecanismo de ação semelhante ao Mirena, porém com dimensões menores, permitindo uma colocação menos desconfortável! Porém, ninguém pode esquecer que o Jeydess é eficaz por um período menor, “apenas” 3 anos!

Contracepção hormonal:

A contracepção hormonal baseia-se na administração de hormônios para impedir a fecundação através do bloqueio da ovulação ou dificultando a ascensão dos espermatozoides. Atualmente esses hormônios podem ser administrados por diferentes vias. Os mais conhecidos são os contraceptivos orais, chamados de pílulas anticoncepcionais, mas existem outros como veremos abaixo.

– Pílulas anticoncepcionais: As pílulas, ou anticoncepcionais hormonais orais, são utilizadas por milhões de mulheres em todo o mundo. São extremamente seguras e eficazes para a maioria das mulheres desde que tomadas corretamente. Este método pode apresentar risco para mulheres acima de 35 anos e para as fumantes inveteradas. Possuem as vantagens de regular o fluxo menstrual e ajudar na prevenção de alguns tipos de câncer, como os de ovário e de endométrio, além de encurtar os períodos menstruais e diminuir as cólicas.

Existem mais de 20 marcas de pílulas anticoncepcionais, variando o tipo e concentração de hormônios. É importante consultar um médico para escolher a melhor opção assim como entender corretamente a forma de ingestão da medicação.

– Injetável mensal: A injeção contraceptiva mensal é composta de dois hormônios, estrogênio e progesterona, e deve ser aplicada uma vez por mês, pelo médico ou em farmácias. Pode ser utilizada como alternativa para pacientes que esquecem de ingerir a pílula diariamente.

– Injetável trimestral: Conforme o nome diz, esse método, composto de progesterona, pode ser usado a cada três meses, representando uma vantagem. Entretanto, muitas pacientes após algum tempo de uso do método apresentam aumento significativo de peso além de alterações no padrão menstrual.

– Adesivos: Recentemente foi lançado um tipo de adesivo que contém estrogênio e progesterona e pode ser trocado semanalmente pela paciente. Esse método é interessante para aquelas pacientes que esquecem de tomar a pílula ou tem náuseas com a medicação oral. O adesivo pode ser colocado em partes do corpo que fiquem sempre cobertas, mantendo a privacidade da usuária.

– Anel vaginal: Essa é mais uma das recentes alternativas para administração de hormônios contraceptivos. Um fino anel elástico é colocado pela própria paciente dentro de sua vagina e permanece lá por 3 semanas, sem que a paciente ou seu parceiro percebam sua existência. Após esse período o anel deve ser retirado e, uma semana depois, um novo anel é colocado na vagina da paciente.

– Implantes: São finos tubos de plástico, do tamanho de um palito de fósforo, introduzidos debaixo da pele do braço através de incisões mínimas. Eles liberam pequenas quantidades de progesterona e oferecem proteção contra a gravidez durante o período de 3 anos. Muitas pacientes apresentam diminuição da quantidade e duração da menstruação, podendo até interromper totalmente o fluxo menstrual após algum tempo de uso.

Contracepção de emergência:

A contracepção de emergência ou pílula do dia seguinte é utilizada em caráter excepcional, porém com grande eficiência se adotada dentro das 48 horas (dois dias) subsequentes à relação sexual desprotegida.

É importante deixar claro que a contracepção de emergência deve ser utilizada apenas em casos excepcionais de imprevistos, devendo ser escolhido algum método contraceptivo convencional após o evento.

Esterilização:

A esterilização impede que a gravidez aconteça através de uma cirurgia executada no homem ou na mulher.O procedimento de esterilização na mulher é chamado laqueadura de trompas. Já no homem é conhecido como vasectomia. Ambos são extremamente seguros e eficazes como métodos contraceptivos.

Esterilização feminina:

A esterilização das trompas ou laqueadura é um procedimento cirúrgico que promove a obstrução das tubas uterinas, impedindo a fecundação. Muitas mulheres decidem fazer a laqueadura logo após o parto, porém, essa decisão deve ser refletida pelo casal e, métodos alternativos devem ser discutidos com o ginecologista. O procedimento em si é simples e atualmente já pode ser revertido, porém as taxas de sucesso da reversão giram em torno de 60 a 70%.

Algumas pacientes preferem esperar algum tempo depois do parto antes de fazer a laqueadura. Desejam certificar-se de que os filhos estão bem e decidir sem a influência dos hormônios gestacionais. A laqueadura pode ser feita por laparoscopia, necessitando apenas de algumas horas de internação.