zenah_OBSTETRICIA

Importância da suplementação com multimicronutrientes na gestação e na lactação

Quando que a suplementação com o ácido fólico na paciente que deseja engravidar deve ser iniciada?

Idealmente a reposição de ácido fólico deve ser iniciada três meses antes da concepção, ou seja, a paciente que deseja engravidar deveria programar o seu uso cerca de um trimestre antes de interromper os métodos contraceptivos. A dose recomendada antes da gestação é de 0,4mcg de ácido Fólico por dia e seu uso tem como intuito a prevenção de defeitos do fechamento de tubo neural no embrião.

Além do ferro e do ácido fólico outras vitaminas e minerais também são importantes? Por quê?

A suplementação de vitamina D também é bastante importante, pois cada vez mais tem-se observado a deficiência desta vitamina na população como um todo e alguns estudos têm demonstrado que durante a gestação esta deficiência pode aumentar os riscos de parto prematuro e baixo peso ao nascer.

A vitamina C parece diminuir o risco de rotura prematura de membranas ovulares, que é uma importante causa de prematuridade e baixo peso ao nascer e de hipoplasia pulmonar. Além disso esta vitamina é capaz de aumentar a absorção do ferro, sendo importantíssima para prevenir e tratar quadro anêmicos.  Já a vitamina B12 é importante para evitar a anemia e pode melhorar a imunidade da gestante. Durante a amamentação esta vitamina parece ter a capacidade de aumentar a produção de anticorpos da mãe e consequentemente promover maior passagem de anticorpos para o bebê promovendo maior proteção durante a fase de aleitamento. A tiamina, a riboflavina, a niacina, e a vitamina B6 são importantes co-fatores para o processo de divisão celular, processo este que ocorre intensamente durante a gestação e formação fetal. Durante a gestação o metabolismo materno fica acelerado, há grande formação de células sanguíneas como hemácias, formação de novos vasos sanguíneos, maior crescimento de cabelos, desenvolvimento das mamas e grande passagem de nutrientes para o Feto, para que todos esses processos ocorram adequadamente é de extrema importância que a gestante tenha uma nutrição e aporte vitamínico adequados.

Quais intercorrências que a deficiência vitamínica pode acarretar a gestante e ao feto?

A deficiência de ácido fólico pode levar a defeitos do fechamento do tubo neural durante o processo de formação do embrião. Isso pode acarretar em malformações como espinha bífida e anencefalia. Na gestante essa deficiência pode ser causa de anemia macrocítica.

A deficiência de ferro, por sua vez, é a principal causa de anemia na população e as gestantes estão ainda mais vulneráveis a desenvolver essa enfermidade, uma vez que esse nutriente é essencial para a produção de glóbulos vermelhos, aumentada durante o período gestacional. A deficiência de vitamina B12 também pode levar a anemia materna, principalmente do tipo macrocítica e quando a deficiência é intensa pode comprometer até mesmo a formação dos leucócitos.

Conforme citado anteriormente, a deficiência de vitamina D aumenta o risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer o que acarreta em maior tempo de internação do bebê, maior risco de apresentar desconforto respiratório e de adquirir infecções após o nascimento. A prematuridade extrema pode ser causa de alterações visuais, hipoplasia pulmonar e atraso do desenvolvimento neuro-psico-motor. A deficiência de vitamina C pode levar a ruptura prematura das membranas ovulares que é uma das principais causas de parto prematuro e hipoplasia pulmonar.

Além disso tudo, a deficiência de micronutrientes e vitaminas associada a uma alimentação inadequada aumenta o risco de baixo peso ao nascimento.

O baixo peso ao nascimento está relacionado a quais complicações no bebê?

O baixo peso ao nascer está associado a maior chance de o bebê apresentar síndrome do desconforto respiratório que pode ter graus variados, algumas vezes pode ser transitória e sem a necessidade de oxigenioterapia e em outras pode ser grave e levar a necessidade de intubação orotraqueal, esta última é mais freqüente em bebes prematuros e restritos extremos. O baixo peso também pode ser causa de hipoglicemia neonatal e necessidade de maior tempo de internação hospitalar seja para ganho de peso so, seja para adaptação respiratória ou correção de distúrbios metabólicos com a hipoglicemia. Esse maior tempo de permanência hospitalar gera grande ansiedade nos pais e familiares que se tem de ir de alta hospitalar sem o bebê tão esperado no colo, além disso a permanência em unidades de terapia intensiva e/ou de cuidados intermediários leva a maior risco de adquirir infecções.

A suplementação vitamínica é segura para a gestante?

Sem dúvidas, não só é segura, como deve ser sempre encorajada pelos médicos seja no período pré concepcional, gestacional ou durante a amamentação.

Qual é o horário adequado para se ingerir o multivitamínico, assegurando a melhor absorção dos seus componentes?

Geralmente recomenda-se que os multivitamínicos sejam ingeridos juntamente com uma das principais refeições do dia como café, almoço ou jantar. Observo, no entanto, que é freqüente a queixa por parte das gestantes de se esquecer de ingerir o suplemento no momento da refeição; isso não é um grande problema, se a gestante tiver dificuldade para ingerir a suplementação nesse momento ela pode utilizá-la a qualquer hora do dia, o importante é não esquecer de tomar.

O que ocorre com o organismo materno na época da lactação? Por que as mulheres costumam se sentir tão enfraquecidas e apresentam uma queda de cabelo tão intensa?

A produção láctea consome energia e nutrientes maternos, o que pode acarretar em deficiências nutricional e vitamínica. O leite materno tem composição diferenciada sendo rico em lipídeos e glicose, que são a principal fonte de energia para o bebê, rico em ferro, vitamina A, zinco entre outros e todos esses nutrientes são utilizados a partir de fontes maternas, ou seja, é necessário que a mãe tenha um adequado aporte desses nutrientes para a produção do leite sem que isso cause deficiência vitamínica nela. Essas deficiências podem levar a fraqueza, cansaço, anemia e maior queda de cabelo. A alopécia é um processo normal do puerpério que se intensifica no terceiro mês após o parto. Esse processo é conhecido como eflúvio telógeno e pode ser ainda mais intenso se associado carência nutricional e vitamínica.

Por que é tão importante que a mulher tenha uma suplementação multivitamínica também no período da lactação?

O parto acarreta em grande perda de sangue, para repor as células do sangue perdido o corpo utiliza ferro, ácido Fólico e vitamina B12, a reposição desses micronutrientes é muito importante para prevenir o surgimento ou agravamento de quadros de anemia. Quando instalada a anemia, ela pode retardar o processo de cicatrização apos o parto, pode causar sensação de cansaço, astenia e até sintomas depressivos além de acentuar a queda de cabelo. A alopecia também pode ser minimizada com a suplementação de biotina, vitamina B6  e ácido pantotênico durante a gestação e amamentação.

A suplementação com vitamina D aumenta a quantidade desta vitamina no leite materno, sendo importante na prevenção de raquitismo. A vitamina A e Zinco também são passadas para o bebê pelo leite materno e sua reposição também é interessante para evitar a depleção dos estoques maternos destas vitaminas.